A dupla jornada – quando as 24 horas do dia não bastam

Recebo muitos e-mails e comentários aqui no blog  de mulheres que gostariam de encontrar o equilíbrio entre casa,trabalho e família. São mulheres interessadas em tornar  melhor o mundo em que vivem.

A respeito da sobrecarga da mulher, mãe e trabalhadora, reproduzo matéria da Época, publicada em 2009, de Katia Mello.

 

Quem reunir uma roda de mulheres com filhos pequenos e perguntar a elas o que mais desejam na vida provavelmente ouvirá: “Tempo”. Hoje, a brasileira gasta oito horas no trabalho, quatro com os filhos e apenas uma hora com ela mesma. Sobra pouco tempo para descansar. Essa é uma das conclusões do estudo da psicóloga e empresária Cecília Russo Troiano, publicado no livro Vida de Equilibrista – Dores e Delícias da Mãe Que Trabalha (editora Cultrix). O estudo de Cecília envolveu 850 mulheres das classes A e B que trabalham fora de casa. Ela também entrevistou psicólogos, pedagogos e pediatras. O resultado dessa equação: “As brasileiras estão sobrecarregadas, mas não abrem mão de nenhum dos papéis: de mãe, trabalhadora e esposa”, diz Cecília.

É fácil entender por que essas mães estão tão cansadas. Elas são onipresentes. Logo cedo, 67% delas acordam seus filhos, 48% preparam o café da família, 41% levam as crianças à escola. São elas que servem de motorista dos filhos: 58% os levam às atividades extracurriculares, como a aula de natação. Problema na escola? Lá está a mãe de novo: 75% das esposas comparecem às reuniões escolares, enquanto apenas 6% dos maridos vão conversar com o professor. Quando voltam para casa, 71% das mães põem as crianças para dormir. Elas reclamam da falta de participação do companheiro. “A divisão de tarefas ainda é muito torta. Quando o homem colabora na casa, sente que está ajudando a mulher. Se bobear, ainda quer ser paparicado”, diz a psicóloga familiar argentina Magdalena Ramos no livro. Mas há o outro lado da questão. “A mãe não costuma delegar as tarefas ao marido e, quando o faz, reclama do jeito que ele as executa”, afirma Cecília.

Mesmo sobrecarregada, a mulher quer continuar a trabalhar. Até porque, no Brasil, essa não é apenas uma questão de realização profissional, mas de necessidade financeira. De acordo com uma pesquisa da empresa Philips de 2005, citada no livro, 43% das brasileiras pagam a maior parte das despesas da casa. Quando voltam ao trabalho, sentem a dor de ficar longe do filho: 58% reivindicam creches nas empresas para seus pequenos de até 6 anos; 64%, horários mais flexíveis. Se pudessem, 35% trabalhariam meio período e 34% montariam um negócio próprio para estar mais perto da família. Apesar de tudo, elas são otimistas: 99% dizem que a dupla missão mãe–trabalhadora vale a pena.

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